O Funeral do meu Pai [chapter seven]

15/11/2011 § 1 comentário

Ela tentou esconder com palavras monossilábicas, na conversa, o que não era pra eu ouvir. Bem, ela tentou, não queria causar uma confusão mental antes da hora, a viagem ainda ia durar pelo menos 1hora até chegar à capital.

A possibilidade de que toda a quebra de rotina do dia 7 de junho de 2007 era por conta do inesperado ficou evidente. Enquanto dirigia meu olhar para a paisagem por trás do vidro fumê do corsa 2007, tentava disfarçar com distração todo aquele teatro feito pela tia Janice pra eu não suspeitar mais do que suspeitava.

A conversa no telefone tinha acabado e a tia Janice conseguiu disfarçar socialmente com quem estava falando. Meu preceptor entrou no carro e partimos do internato.

Lembro de ter passado pela portaria e olhar pra trás, como estava lindo aquele dia. O Sol despontava entre duas nuvens comulos nimbos. A grama parecia estar muito mais verde que o comum.  A mata ao fundo me trazia a impressão de estar bem protegido. Acaba de sair da minha zona de conforto.  A cancela da portaria abaixou-se e eu já estava a 5 metros mais longe de casa e mais perto do fim.

Fiquei preocupado com que tipo de conversa teríamos no carro, afinal 1 hora de viagem seria o suficiente pra falar de pelos menos três capítulos da novela das oito.  Decidi não puxar assunto, pra não criar o clima de “precisamos continuar conversando com ele, afinal, fomos nós quem o chamamos”. Entenda como quiser essa minha decisão, mas vi que não estava capacitado pra conduzir uma conversa. Meus pensamentos não paravam no chão.

Passamos pelo Pirulito, o lugar que já foi ponto de referência para encontros dos alunos que voltam ao internato pra visitar. Se chamava Pirulito por ser uma placa de identificação onde se assemelha a um pirulito. Na verdade nunca vi muito sentido, pois o “pirulito” não era redendo, mais parecia uma engrenagem em forma de anúncio publicitário. Mas falar mal do pirulito é quase um pecado, ele é um monumento tombado, na cabeça dos veteranos do internato.

Uma das coisas que provavelmente poderia acontecer no carro era a Tia Janice começar a perguntar sobre como eu estava indo na escola e eu comecei a me preparar piscologicamente pra isso. Era evidente que eu não era um dos melhores alunos, pelo ponto de vista socialmente aceito num internato. Não tirava boas notas e tava quase sempre olhando pela Janela enquanto minha professora de matemática fazia comentários saudáveis sobre como era péssimo o modo como tratavam os professores. Ela reclamava demais. Porém quando queria dar aulas ela era excelente, para os alunos bundudos e cabeçudos que sentavam na frente.

E então quando eu menos espero a pergunta cai no ar, “e então cley, como anda a escola?”

A pergunta veio num tom macio e cheio de “quero saber tudo” até conmpreendo o motivo, uma hora de viagem sem abrir a boca é mais que apático, é tedioso.

“Estamos nos organizando para a feira cultural, então tem algumas coisas que ficam de lado, cê sabe né tia?”

Ela deu um risinho sem compromisso e lançou outra pergunta. “Andei sabendo que você aprontou esses tempos, o professor de física falou sobre você e alguma coisa de suástica no seu caderno.

Comecei a pensar no que ia falar quando ela disse “andei sabendo”, E vi ali que os próximos 57 minutos não seriam eu tentando encontrar assunto, pois o assunto já tinha me encontrado.

O Funeral do meu Pai [Chapter six] –

20/10/2011 § Deixe um comentário

-Sua Irmã ligou e pediu pra que te levasse- mos pra Manaus, seu pai não está muito bem. Disse a tia Janice

A notícia veio como uma brisa suave que contorna o rosto. Senti como se algo estivesse se desconectando da sua raiz por uma razão desconhecida. Meus pensamentos voltaram ao fato de considerar a morte algo que estava bem perto daquela pseudo- razão do chamado da tia Janice. Ela olhou pra mim como se esperasse uma reação de perguntas, talvez ela pensasse que eu desejasse saber mais sobre o porquê ir pra Manaus.

– Então vou fazer minha mala. Disse eu

E saí da sala encantada do país do rosa, ficaram pra trás o Quadro a decoração em estilo vintage e o cheiro de erva-doce. O Sol então tocou minha pele e no caminho até o meu quarto algumas coisas passaram pela minha cabeça, mas nenhuma delas mais importante do que “Com que roupa eu vou”.

Era interessante pensar que a tia Janice estava arrumada como pra ir a Igreja ou coisa do tipo, que requer mais formalidade. Eu, no entanto, nunca tive jeito pra ir à igreja. Quando era pequeno, minha mãe insistia em me fazer um pequeno advogado. Com mini-ternos, mini-gravatas, suspensório e coletes. Todos eles bem passados e o sapatos brilhantes.

Não me sentia a vontade, claro, mas fazia assim, aliás, quando se tem 12 anos não se decide muito sobre si mesmo.  Cheguei ao quarto e olhei para o guarda – roupa. Peguei as roupas sem olhar e joguei na mala. E decidi ir com a roupa da escola. Fácil, né? Eu sentei então na cama e coloquei as mãos na cabeça, meus olhos ficaram iguais aos dos asiáticos. A dor de cabeça começou e com ela veio a vontade de não sair dali. Eu estava seguro ali, não queria saber o que estava lá fora, se era a morte ou se era a vida.

Nesse momento bate na porta o Elvio, elvinho como chamavam. O Elvinho era do quarto oito, era irmão mais novo do Élio e no quarto dele todos eram meus amigos. O Elvinho era o misto de cômico e nerd . Uma vez, quando cantava no coral, fui a Manaus e na volta paramos no Mac`donalds, eu comprei o n 2 pru Elvinho, pois ele era do coral também, mas  perdeu a saída por conta de saia. Hehe.

Era noite e estávamos na Luminária, que era um poste imenso que ficava na passarela e que iluminava quem caminhava na passarela à noite, porém ela era acessa apenas as sextas-feiras, pois segundo o tesoureiro a lâmpada consumia muita energia, então na maioria das noites ela estava desligada. Eu e o Elvinho sentamos nos pés da luminária e eu entreguei o hambúrguer pra ele, eu lembro das seguintes palavras: Nossa cara, você lembrou de mim, sabia que você é um dos caras mais humildes que eu conheço? Eu disse que eu não era humilde, então ele disse:  por isso mesmo você é.

Naquela noite ele repartiu o número 2 comigo, eu me senti feliz. Ele então tocou na porta com mais força, pois parecia que eu estava no mundo da lua. Eu olhei, dei um sorriso de lado, e ele percebeu que alguma coisa estava fora do eixo. Ele foi e sentou do meu lado e não perguntou o que tinha acontecido, só ficou do meu lado. Eu então tomei o diálogo.

– Elvinho, vou pra Manaus agora, quer alguma coisa? Um número 2, talvez?

Ele sorriu e não disse nada. Eu comecei a retomar meu diálogo solitário. Comecei a reclamar de como é difícil escolher uma roupa e falei sobre a mala que parecia muito pequena pra tanta roupa, aliás, não sabia nem quantos dias eu iria ficar em casa.

Meu Preceptor, que era esposo da tia Janice, Clayton, falou então que estavam prontos pra ir. O Elvinho pegou a mala e entregou na minha mão.

Eu então comecei a andar até o carro. Não sabia o que pensar, não sabia o que vestir, não sabia pra onde ir. Perdia ali meu porto seguro e iria ter uma surpresa que provavelmente saberia o desfecho.

A tia Janice já estava no carro quando entrei. O Celular então tocou pela segunda vez naquela tarde. Eu então ouvi o que não precisava, não naquele momento…

O Funeral do meu pai [chapter five]

02/09/2010 § 1 comentário

Levantei  e fui até a porta. Ao abrir veio um clarão, lembrei que era mais ou menos 14h00min e esse horário o sol não ficava escondido. Os passos antes percorridos pra ir até a sala do professor Ivan agora estavam na contra mão, minhas idéias sobre o futuro estavam menos preocupantes, se tivesse algo pra ser falado seria naquele momento na sala dele, como não havia sido eu fiquei mais tranqüilo… Mas ainda me estranhava o fato da Professora Janice querer falar comigo… E aquelas perguntas q ele havia feito na sala, ainda estava um pouco embaçado… Ao passar pela minha sala vi pela janela meus colegas ainda ouvindo os dizeres hipocondríacos da Professora de Artes, olhei de leve para minha cadeira e minhas coisas que estavam em cima da minha mesa. Continuei o caminho, indo em direção ao lugar onde a Professora Janice ficava. Ao passar pela laje inacabada ouvi o sino tocar, avisando que o intervalo das crianças havia terminado. O alvoroço da criançada era tanto que os monitores estavam tendo certa dificuldade para recolher todas as crianças. Continuei andando e cheguei até a passarela, esse era o único caminho que ligava o prédio escolar ao restante das dependências do internato, o refeitório, a lavanderia, e os residenciais – Masculino e Feminino. A Passarela é acompanhada por um jardim de plantas verdinhas que não passavam de 25 cm de altura. Quando o sol era intenso as plantas que estavam mais expostas ficavam verdes claras e as de dentro, onde o sol não era tão forte, ficavam verdes escuras, assim dava um degrade muito bonito de ser visto de longe. O chão era de várias pedras de concreto em forma de pentágono, às vezes quando não estava tão apressado a ir á um lugar eu escolhia aonde pisar e ficava “pulando amarelinha”. O Caminho era um pouco longo para ser percorrido até o lugar onde a Prof.ª Janice ficava uns 200 metros. Enquanto caminhava até lá enxugava o suor do meu rosto com as duas mãos, tinha uma amiga que achava estranho me ver enxugando o suor, ela dizia que sempre foi acostumada a ver a pessoa enxugando só com uma das mãos… Enfim… Quando me aproximei da parte em que a passarela se torna uma trifurcação eu segui pela esquerda, era o lado do residencial feminino, Prof.ª Janice era responsável pelas meninas do colégio e sempre era um prazer pra qualquer garoto ir do outro lado, ou seja, no residencial feminino. Vi ela na porta do Prédio segurando algo no ombro dela enquanto pressionava o objeto na sua cabeça… Deduzi ser um celular. As mãos dela estavam ocupadas com um papel e uma caneta parecia que ela estava anotando alguma coisa importante…

– Tia. Disse eu sem tantas expectativas dela me ouvir

– Cley meu filho, espere só um momento…

Sentei então na poltrona confortável da Recepção do Prédio e olhei a linda e perfeita pintura de uma garota segurando uma rosa, depois de olhar mais um pouco vi que não se tratava de uma pintura e sim uma fotografia… talvez Picasso tivesse usado uma maquina fotográfica. A Recepção era aconchegante e bem feminina, cheia de tons rosa e amarelos e bem mais organizada do que a Recepção do meu prédio. Havia algumas cadeiras e um pequeno sofá e o cheiro também era bastante agradável.

– Cley, me espere na minha sala. A ordem surgiu dentre a conversa que ela estava tendo no telefone.

Entrei na sala e vi a pequena mesa e a cadeira onde provavelmente ela sentava e aconselhava as meninas do internato. Vi que na mesa tinha várias fotografias de alunas antigas e até mesmo de meninas que conhecia. Vi a Marcinha com a Anny Kelly e também a Karina. As meninas tinham muito carinho pela Professora Janice. Sentei e comecei a pensar no fato de eu estar na sala da Professora Janice e nem se quer estar doente, todas as vezes que tinha ido lá era por causa de gripe ou resfriado. Meus pensamentos sobre o estranho fato das palavras do Professor Ivan voltaram e tentei juntar as coisas… Não foi o x-salada, então o que foi? As duvidas eram imensas, e ainda mais pelo fato dele ter falado sobre minha família, e assuntos que não tinham muito a ver naquelas circunstâncias.

A porta abriu e surgiu dela a Professora Janice sem o telefone e sem os papéis na mão. Entrou, sorriu e sentou. Pegou minhas mãos e as segurou e olhou pra mim como se tivesse querendo falar alguma coisa com o olhar.

Cley tenho que te falar algo sério e… Você tem que ta preparado, ser forte.

O Funeral do meu Pai [chapter four]

09/08/2010 § Deixe um comentário

Comer Carne, sardinha, entre outras coisas… hehe, davam a você uma advertência ou quem sabe uma ligação para seus pais. Essa última opção era bem pior, com certeza seus pais não iriam querer ir até o internato para resolver problemas tão fúteis…

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Meus passos continuaram indo até a porta, levantei o olhar e dei uma olhada pra trás quando cheguei quase perto da porta, queria ver a reação dos meus amigos, se estavam comentando o fato de eu estar sendo chamado pelo prof. Ivan. Retomei meu caminho então e olhei o rosto pálido que era realçado pela frieza nos olhos e embaçado pelo fundo de garrafa… Ainda nervoso saí da sala e ele estava na minha frente me conduzindo até sua sala… A única vez que tinha entrado lá foi pra entregar um papel que o Preceptor havia pedido… E agora??! Será que ele descobriu?! Quem contou pra ele? Será se foi o Adriano? Não, ele iria se encrencar também… As dúvidas e incertezas estavam mais altas do que o barulho das crianças brincando no corredor… Uma tinha até falado comigo, mas estava tão nervoso que nem respondi, só olhei.

A Sala parecia maior do que da ultima vez, só havia três cadeiras na parte da frente da mesa, a cadeira dele era grande e perceptivelmente macia.

– Sente-se, por favor… A voz soou como se fosse o chamado de um general dando ordem para um soldado…

Eu sentei e esperei ele dizer a primeira palavra, e já estava pensando numa defesa.

– Você deve estar achando estranho do por que eu lhe chamei aqui, não está?

Sim, estou. Eu disse apreensivo.

Bem, o assunto é sério mesmo…

Se alguém lhe disser assim – “O assunto é sério mesmo”… É por que é sério mesmo… Fiquei relutante, na idéia de que ele havia descoberto o lance do x-salada…

-Sua família deve ser importante pra você… Ter uma família é muito bom, não é mesmo?

É sim professor… Eu respondi, não entendendo muito onde ele queria chegar… Será se isso era uma tática, onde nós mesmos nos entregamos?!

Seu Pai é um homem muito bom, sua mãe também… Eu fui professor dos seus irmãos e todos eles eram boas pessoas…

Minha cabeça estava um turbilhão de idéias, filosofias e coisas…

Chamei-lhe aqui pra dizer que essa escola se preocupa com você, com seu bem – estar, e que estaremos do seu lado… Ajudando no que for preciso…

Aí que eu não entendi nada mesmo… O Prof. Ivan tinha ficado louco? O que ele quis dizer com isso? Será se esse chamado aqui é mesmo sobre os x-saladas?! Ou ele estava querendo falar de outra coisa que eu não fazia a mínima noção do que seria, não naquelas circunstancias…

A Professora Janice está lhe esperando lá em baixo, ela ira lhe falar sobre o porquê eu falei tudo isso a você, não posso falar por que a Professora Janice é a mais próxima da sua família… Ela saberá falar…

E fez sinal para que eu saísse e ir até a professora Janice que sempre ficava no dormitório feminino, ela era a responsável pelas meninas no internato…

Me levantei e cheguei até a porta e a fechei com cuidado, para não entregar meus pensamentos apressados e carregados. Estava naquele momento achando que o Prof. Ivan não tinha me chamado na sala dele pra perguntar sobre os x-saladas. Talvez o assunto tivesse a ver com minha família mesmo, eu percebi que ele não estava tão calmo, parecia que sua respiração estava mais intensa. Comecei a pensar nas idéias agora olhando outra perspectiva… Será que havia acontecido alguma coisa com alguém da minha família? Não, se tivesse já teria sabendo mesmo assim. A escola tem o dever de falar para o aluno às coisas que acontecem fora do colégio…

O Funeral do meu Pai – Chapter three

09/08/2010 § Deixe um comentário

– Alô?! – disse a voz do outro lado, não deu pra distinguir se era masculina ou feminina isso por que os ramais do colégio haviam sofrido alguns reparos que… Podemos dizer que não deram certo.

O Adriano tá por ai?! – Eu disse apressado. – É ele, quem tá falando? Percebi naquele momento que até para o Adriano reconhecer minha voz estava difícil.

– É o Cley… Eai… Vai dá pra você ajudar naquela parada? Eu disse de olhos fechados e fazendo de tudo pra não soar desesperador o meu tom. – Sim, claro. Mas eu quero um pra mim também e de graça – disse sem tanta pressa o Adriano.

Então tudo bem. – Eu disse aliviado. – Você liga então, à tardezinha agente se encontra atrás da sala da Pedagogia.  – Tá certo. Ouvi então o PI, PI, PI do telefone…

Desliguei o telefone e cai devagarzinho no chão com a costa na parede, levantei minhas mãos em direção a testa e fiz como se fosse enxugar alguns resquícios de suor.

– Cley ta tudo bem? Disse um dos monitores do prédio. Ainda não tá, mas vai ficar – Eu disse e saí em direção ao meu quarto.

Sentei na cama e fiquei repassando o plano outra vez. O Táxi iria chegar, o Adriano iria receber e descer até o prédio escolar e entregar pra gente. Mas e se no caminho aparecesse algum professor? Ou quem sabe o temido Prof. Ivan e interrogasse o Adriano do por que ele estava levando aquilo pra dentro da escola? Mas também não via à hora de sentir o prazer de meu corpo receber algo há mais do que naquele colégio se tinha.

Depois da Aula eu e mais quatro amigos fomos até o local combinado. Sentamos e esperamos dar 18:00. Nessa hora todos estão chegando da escola e indo tomar banho e se arrumar para Jantar. Sim, dava perfeitamente para ficarmos escondidos durante um tempo e receber o combinado. De longe vimos o Adriano vir com uma sacola branca em suas mãos, e os passos dele estavam bem rápidos.

– Hm.. Vai ser agora Cley. “Vamo” tirar a barriga da miséria.

– Olhamos uns prus outros e riamos do fato, simples, mas emocionante.

– Tá aqui Cley como combinado, deixa eu logo pegar o meu – Disse o Adriano.

– AH, o meu veio sem maionese, alguém tem um com maionese, quero trocar. – Disse o Adriano enquanto verificava o seu sanduiche de hambúrguer.

Eu comia feito um condenado, e sempre atento ao redor, pra ver se meu momento de prazer não iria ser interrompido.

Aquele X-Salada estava mais perfeito do que qualquer outra comida que eu já havia visto… O queijo bem derretido, o ovo bem passado e a folha de alface parecia que havia sido tirada uns minutos atrás da raiz… Tudo estava uma delícia. No internato não se comia carne nas refeições, o cardápio era vegetariano e o desejo de comer carne poderia ser saciado com X-Saladas clandestinos que vinham da cidade mais próxima do internato… O Taxista era amigo do Adriano, que era um funcionário da escola, e assim seria mais fácil pedir ao Adriano para conseguir os X-Salada pra gente.

Estávamos que nem crianças comendo bolo de chocolate. Parecia que nunca tínhamos comido x-salada…

Depois de uns pequenos minutos ouvimos a sirene tocar, era o sinal de que o Jantar já ia ser servido… Na fila pra entrar no refeitório os monitores passavam vendo se tinha alguém faltando e por isso tínhamos que terminar logo e ir pra fila…

O Adriano pegou seu sanduíche e saiu pra bem longe. A vila dos professores ficava um pouco distante, mas ele estava de bicicleta, ia chegar rápido…  Nós também já tínhamos terminado os 8 x-saladas e começamos a nos distanciar do local do crime e  indo até o refeitório.

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